A feição positiva dada ao estudo da alma pela Moderna Psicologia tem conseguido, na época atual, os mais seguros resultados. Cada ano a verdade se proclama mais vigorosamente e as provas se acumulam fortificadas por novos fatos em que se firmam indestrutíveis as experiências que aparecem como pedras angulares do grande edifício que abrigará a humanidade toda.
No transcurso destes dois anos, que representam um trecho de caminho andado por esta revista, quanto progresso tem feito o Espiritismo em sua tríplice manifestação — científica, filosófica e moral! E não há negar que o grande motor dessa ação benfazeja é devido exclusivamente à exposição e ao estudo científico dos fenômenos que se têm acentuado de tal modo que não se pode deixar de recebê-los como uma expressão definitiva e superior dessa nova forma de “Religião” revelada ao mundo, tal como se apresenta o Espiritismo. E como prova aí estão os testemunhos insuspeitos de todos os homens de ciência que, depois de analisarem detidamente esses fenômenos, não recusaram dar-lhes o seu veredicto. Desde Crookes, que legou à posteridade o produto dos seus estudos, as suas descobertas; desde o Dr. Paul Gibier, substituto de Pasteur, até Oliver Lodge, o grande físico inglês para o qual se acham voltadas todas as atenções, todos, sem exceção, têm proclamado a veracidade dos fatos que vêm solidificar a obra empreendida pelo ilustre missionário que denominamos Allan Kardec.
O movimento espírita que se opera no mundo todo com o concurso de vultos eminentes como Conan Doyle, Bozzano, Flammarion e Geley, que muito concorreram para sua intensificação; Profs. Richet, Calmette, Teissier, sem falar na considerável lista dos Zoelner, du Prel, Lombroso e centenas deles que não trazem sua fé sob o alqueire do preconceito e do temor do ridículo; o movimento espírita hodierno, dizíamos, cresceu tanto que até eminentes Pastores da Igreja Anglicana, sábios nas Escrituras, deliberaram abraçar tão excelente Revelação, por achá-la de pleno acordo com a Verdade Divina e única capaz de provar aos homens a sua sobreviência à morte do corpo.
Só numa enquete feita pela revista inglesa Light, não há muito tempo, várias dignidades britânicas e Pastores se pronunciaram com favorável desassombro por esta doutrina, visto, segundo eles mesmos declararam, haverem obtido manifestações e comunicações dos seus mortos na guerra.
Para não deixar de citar alguns nomes dos mais conhecidos e as opiniões que deram na enquete, lembramos os seguintes:
Pastor Weldon, Deão eclesiástico de Durham, disse: “Os mais ilustres homens estudam hoje no Laboratório do Espírito: as igrejas não têm coragem para romper o tradicionalismo de suas práticas e doutrinas, mas o grande movimento altruísta espírita faz o seu caminho e progride todos os dias”.
Do Vigário Dale-Owen: “Nós vemos todos os sinais do renascimento do Cristianismo; o interesse cresce todos os dias para o que concerne às ciências psíquicas.”
Do Reverendo Twedale, Vigário de Weston: “Eu creio que o grande movimento espírita, que abarca o mundo todo, prepara o espírito humano para a revelação de acontecimentos psíquicos de uma importância decisiva.”
Do Reverendo Walter Win, que obteve comunicação de seu filho Roberto, morto na guerra, e a tal respeito publicou um livro em inglês que já foi traduzido para o francês e corre mundo, obra intitulada “Rupert Vit”*: “A Humanidade vai ter uma nova percepção do Universo, e passarão todos a compreender os fenômenos espíritas da antiguidade exarados na Bíblia, que contêm sob forma simbólica as intenções divinas, relativas à humanidade do passado e àquela de hoje.”
E para que prova mais patente de que o Espiritismo se impõe em toda a parte, do que o ato do “santo ofício” pedindo ao papa uma bula, a respeito dessa doutrina que como dizem os srs. Cardeais “está avassalando o mundo”!
Pois bem, a tarefa desta revista é justamente acompanhar todo esse movimento, torná-lo conhecido, demonstrar a necessidade imprescindível destes estudos para elevação do homem e equilíbrio da vida social.
Reunindo os fatos que se verificam aqui e ali, refletindo, ajuizando as verdades incoercíveis que deles resultam, numa crítica desapaixonada e inteligente, temos procurado mostrar, a todos os que quiserem estudar, a senda legítima, a estrada reta que conduz ao verdadeiro Ideal, livre das dúvidas e das teorias preconcebidas que sufocam a razão.
Diz-nos a lógica que uma publicação assim orientada não pode deixar de ser um precioso elemento de cultura persistente que contribui por todas as formas para subministrar a luz necessária e esclarecer os fundamentos da fé em que se deve basear a crença nos nossos destinos Imortais.
Foi assim pensando que fizemos circular no dia 15 de fevereiro de 1925 o primeiro número desta revista, movidos, sem dúvida, por uma força superior que nos vem guiando. Rendendo graças ao Supremo Senhor pelo auxílio que nos tem concedido, no dia em que esta publicação completa dois anos de vida, não podemos esquecer os relevantes serviços que nos prestou e, vamos dizer, continua a prestar, através do véu, o nosso bom companheiro e amigo sincero Luiz Carlos de Oliveira Borges, bem como os nossos colaboradores e assinantes que bem compreenderam as nossas intenções e nos ajudam nesta obra de divulgação Espírita.
* Meu filho vive no além – Edições O Clarim.
Aceitamos:
CASA EDITORA O CLARIM - Matão/SP - Brasil - Fone: (16) 3382-1066 - oclarim@oclarim.com.br