Nos últimos tempos a humanidade tem recebido do Alto dádivas de inestimável valor, que deveriam servir, não só para nos proporcionar grandes comodidades, facilitarem a nossa existência, como também elementos indispensáveis para a nossa evolução espiritual.
Os gênios propulsores do progresso humano não têm medido sacrifícios para nos trazerem sempre novos descobrimentos, novas ideias, novas verdades, que pouco a pouco vão transformando a face da Terra.
O mundo atual, definitivamente, não é o mundo de 50 anos atrás; tudo se modificou, tudo está transformado. A navegação por mar e pelo ar, as estradas que cortam as matas e os campos, os veículos céleres que correm aqui e ali, as redes telegráficas e telefônicas, as redes de águas e esgotos, que constituem a higiene das povoações, a radiofonia etc. etc., tudo indica que estamos em outro mundo e não mais naquele em vivíamos há cinco dezenas de anos.
É preciso convir, entretanto, que estamos submetidos a um progresso forçado. Condições superiores nos obrigam a utilizarmo-nos de todos esses elementos de vida, que nós repudiamos quando eles foram apresentados ao mundo.
De fato, qual a Igreja que não tem hoje o seu “pararraios” e a sua iluminação elétrica, descobertas essas anatematizadas por essas mesmas Igrejas, quando os seus descobridores apresentaram-nas ao mundo?
Mas um fato notório e ainda de maior gravidade, é o transvio que os homens têm feito de todas essas descobertas para fins verdadeiramente condenáveis.
Vemos, por exemplo, ao lado dos grandes vasos transatlânticos, cuja utilidade é indispensável, os navios de guerra; os automóveis se transformam em armas poderosas, os aeroplanos são feitos exclusivamente para guerra e transportes de bombas mortíferas de gases e dinamite que abatem edifícios e destroem cidades.
Quanto ao Rádio, quão transviada está a tarefa desse elemento de civilização, de moralização e de progresso. O que se ouve pelo rádio, o que se aprende, o que se estuda? Onde está a ciência que deveria esclarecer os ouvintes, a filosofia que despertá-los-ia para o raciocínio da vida, a religião que deveria incutir nos espíritos a ideia do prosseguimento da existência e a consequente moralização do indivíduo para o alcance dos estágios superiores na criação?
Todas as dádivas celestes têm sido ultimamente transviadas pelo homem do seu fim providencial. Infelizmente assim é e ninguém será capaz de nos contestar.
Vale, porém que, nós espíritas, vemos nesse transvio o “fim dos tempos” magnificamente alegorizado na “Parábola da Figueira”, cujos ramos já brotam indicando os grandes acontecimentos esperados por todos, mesmo pelos negadores e gozadores que só veem no mundo a única esfera de vida.
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