Quando analisamos o verbo temer e, por consequência, o adjetivo – no caso – temente, nós temos como definições “ter medo, temor ou receio”; “tributar grande reverência ou respeito”.
Não posso aceitar, em se tratando de Deus, que devamos ser tementes a Ele, porque Deus é amor e não espera que seus filhos o temam, mas que O compreendam.
Não devemos estar em harmonia com as Leis de Deus por medo, temor ou receio, mas porque é o único caminho que nos leva à felicidade. Se nós estamos conscientes de que as Leis Divinas são sempre em nosso favor e que o seu enunciado está vivo na consciência dos homens – questão 621 de O Livro dos Espíritos –, é nosso interesse cumpri-las para sermos felizes.
Nenhum pai despreza o amor do seu filho, porque todo pai quer o melhor para ele. Os pais não querem filhos que os temam, mas que os amem e compreendam que as orientações têm por finalidade ajudá-los a ser felizes. Por que Deus seria diferente se nos criou para a perfeição?
O que fizermos de errado não será punido por Deus, mas pela própria consciência de cada um, o que gera uma bola de neve pela culpa que se avoluma e fica em cobrança permanente até que consertemos o erro. Deus é a Lei e não julga seus filhos individualmente, porque cada um de nós é o seu próprio juiz. Até deu-nos como presente a reencarnação, um verdadeiro ato de perdão divino, para que reprisemos nossas vidas passadas e as analisemos no que podem ser mudadas e consertadas. E autoriza a repetição do ato quantas vezes for preciso.
Eu, particularmente, não sou um homem temente a Deus. Sou agradecido a Ele pelo amor que tem por mim e pelas múltiplas oportunidades que me concede para que eu seja feliz. E só não sou se não quiser. As receitas Ele autorizou que muitos missionários nos fornecessem, inclusive o maior deles, Jesus Cristo, que nos recomendou que devemos amar a Deus e ao próximo. Então como imaginar que devemos ser tementes a Deus sob pena de ser castigados? Deus não castiga, ensina. Deus não pune, orienta.
Prefiro, por isso, o Deus do Espiritismo: Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Quem é perfeito apenas ama e perdoa, incondicionalmente. Portanto, o sofrimento é um exercício de aprendizado e não um castigo de Deus.
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